De camelos, humanos e educação transformadora

A imagem de um comboio de camelos e humanos com seus pertences, movendo-se em um deserto sem fim em direção ao seu destino. Essa é a definição de Orcha, na língua hebraica, usada pelo filósofo Gur-Ze’ev para ilustrar a dinãmica de uma educação transformadora.

Um movimento improvisado a partir de repertórios e insights, que consiste em encontrar ou criar o seu próprio caminho. Na Orcha não há uma total determinação pela soberania territorial, nem mesmo pelo conhecimento e pelas pessoas dominantes.  É uma espécie de união em movimento… Algo parecido com o que temos feito no FIS (Formação Integrada para Sustentabilidade- FGV) nos últimos anos.

Foto aérea: George Steimetz
Foto pôr do sol: Joe Kennedy/AFK

Memória emerge do corpo, da experiência, da cultura

Na história, na sociedade e também no corpo a memória é viva: reorganiza os afetos ao sabor da experiência. Essa dinâmica se aplica para a sociedade nos dias atuais e também para a vida de cada pessoa no contexto da pandemia.
As experiências mudam nossa perspectiva sobre nossa relação com o mundo e assim traz impulsos para revermos nossos entendimentos.
O revisionismo não fala nada do passado, fala do presente – disse o historiador Leandro Karnal. Das narrativas sobre a colonização das Américas, da relação com a natureza e com os povos originários do continente, até as questões sobre escravização do povo negro, as narrativas sobre raça, protestos na rua e a remoção de estátuas. Todas essas mudanças de perspectiva histórica e seus discursos são estímulos para examinarmos como nos relacionamos com cada uma dessas narrativas: onde as reforçamos, onde contribuímos para sua mudança.
Por trás da construção de discursos, estão nossos gestos, as formas de relação entre humanos e de nós com o ambiente. Mudar a história é construir novas experiências de corpo e alma.
Imagens: Instalações de @chiharushiota , espetáculo “A Vida Começa pela Memória” da Cia Intérpretes Independentes (por Suane Melo), Remoção da Estátua de Robert Milligan em Londres (BBC), Memorial dos Povos Indígenas (por Tony Winston/Agência Brasília), Tree Cover (por Global Forest Watch).

Restrições e estímulos ao corpo pelo online

Chegamos a 3 meses de atividades online. Como tem sido? Certamente são bem diferentes do encontro presencial que permite sentir o grupo em cada experiência ou a pessoa em cada atendimento. O 2D das telas deixa de lado a interação e a convocação dos sentidos todos do corpo. Também não é possível tocar para orientar melhor as investigações de consciência corporal e movimento. Sem falar nas saudades de mover livremente em um ambiente 3D, aguçando a percepção do espaço, sem as distrações da tela.

Mas o online traz surpresas que as rotinas, tempos e hábitos da cidade às vezes não permitem. É o que dizem os depoimentos de pessoas que descobriram novas sensações e se permitiram algumas ousadias na dança por estarem no acolhimento de casa, sem o acanhamento que o olhar do outro pode trazer. Também as possibilidades de romper com a apatia da quarentena, descobrindo novos modos de interagir com o lugar que se habita e de reconhecer a si mesmo. Ou ainda perceber a planificação das telas é desafiada quando engajamos as diferentes camadas do corpo, das mais físicas às mais subjetivas e transcendentais.

Continuamos esperando pela volta do presencial. Mas inspirados pela potência que atravessa o online. Junte-se a nós: conecsoma.com.br (link na bio) ou mande mensagem.