Imersão de Corpo e Movimento na Natureza * Outono 2019

O retiro de outono deste ano acontece de 26 a 28 de abril, com o tema Vitalidades. Inscreva-se aqui!

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No corpo, na natureza, na sociedade percebemos o impulso do que é vivo a partir de dinâmicas de nascimento, crescimento, trocas, mobilidades, contradições, desenvolvimento, envelhecimento e morte.

Se a vitalidade é um fenômeno involuntário, é possível aproveitar e alimentar sua potência pela observação e integração com os elementos inspiradores e desafiadores que a tornam presente no mundo, no ambiente e nas relações. Modificando noções de desejo, prazer, medo, angústia, ansiedade e padrões que mantemos inconscientemente.

O ConeCsoma convida você para uma imersão na natureza, de 26 a 28 de abril, onde iremos explorar dimensões de vitalidade a partir do corpo e para além dele. Faremos isso por meio de consciência corporal, de interação com o ambiente e de experimentações do mover do corpo no espaço. E ainda doses de reflexão, conversa, imagens e contemplação. Inscreva-se aqui

icmn_vr2019_5_trapicheExplorar percepções de vitalidade estabelece uma ponte com o que nos torna únicos e, ao mesmo tempo, parte de um coletivo que se perpetua através de cada um, mas também de modo autônomo. Isso abre espaço para reconhecermos novos modos de lidar com o que é vivo e com o envelhecimento e a morte.
Ou seja, abre novas perspectivas para ser humano.

PERCURSO

icmn_vr2019_18_lagoingaNo retiro de outono (2019) viajaremos para uma região de Mata Atlântica a cerca de 1h30 de São Paulo. Ali iremos dialogar com diferentes modos de reconhecer, vivenciar e expressar vitalidade. E investigaremos novos modos de mover, encontrando potências e o prazer de perceber, desfrutar e tramar nossos movimentos, trajetórias e ritmos.

Tudo isso, sob a orientação do mentor somático Ricardo Barretto, a partir de princípios do Body-Mind Centering® e da dança contemporânea, além de princípios da sustentabilidade e das ciências da comunicação. Sempre respeitando e valorizando as singularidades de cada um e as relações com os outros e o ambiente.

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As experiências dessa imersão envolverão:.

> dinâmicas de consciência corporal e exploração do movimento para reconhecer perspectivas de vitalidade na constituição, no movimento e nos fluxos do corpo e do natureza, desenvolvendo modos singulares de mover e interagir

> contemplação de vitalidade nas estruturas e fenômenos da paisagem, aproveitando o ambiente como lugar de aprendizado e inspiração

> criação de repertório de movimento a partir da exploração de referências de vitalidade, gerando e apropriando-se de novos modos de mover e estar

> interação por meio de jogos de improviso e dinâmicas de movimento, estimulando a potência das relações vivas

> compartilhamento de percepções e descobertas a partir do que vivemos e conversas sobre aspectos da sociedade e da ecologia a partir de noções da trajetória e das etapas da vida humana no mundo e dos insights de cada participante

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As práticas têm início no sábado, 27/02, às 9h, mas encorajamos que todos os participantes viagem na sexta-feira, 26/02, para integração de grupo à noite e para uma introdução experiencial à imersão do fim de semana.

*Ajudaremos a organizar possíveis caronas entre os interessados.

*Estaremos hospedados na mesma casa e as refeições estão inclusas no pacote.

Investimento: R$ 422,00
15 vagas > daremos preferência a quem confirmar com antecedência
Reservas, Inscrições ou Dúvidas aqui

FACILITAÇÃO: RICARDO BARRETTO

Comunicólogo e educador somático, Ricardo é o mentor do projeto ConeCsoma que promove conexões a partir do corpo e para além dele. Atua há cerca de 20 anos em comunicação para sustentabilidade e como movedor, em contextos artísticos e educacionais. Seu trabalho corporal bebe em três fontes: o entendimento da Comunicação como toda dinâmica de fluxos e trocas; o estudo de dança contemporânea e abordagens somáticas como o Body-Mind Centering®; e as noções de interdependência e visão integrada que caracterizam o pensamento da sustentabilidade.

A fusão e aprofundamento da pesquisa desses saberes integrados teve início em 2008, com sua atuação profissional no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP, e por meio de pós-graduação na ECA-USP, da formação em BMC®, da atuação como facilitador e educador somático e da participação no Núcleo de Formação Integrada do GVces.

SOBRE AS IMERSÕES DE CORPO E MOVIMENTO NA NATUREZA

Iniciativa que surge em 2017 como desdobramento das Experiências de Corpo e Movimento, que Ricardo Barretto oferece semanalmente no Espaço ConeCsoma. A ideia é aprofundar a proposta de educação para o movimento e de conexões a partir do corpo. Daí, um mergulho na natureza, com mais tempo e inspiração para perceber e explorar os fluxos informativos que atravessam o corpo e o conectam ao ambiente, à sociedade e às nossas relações. Sempre de modo estimulante e com respiro para digerir os aprendizados que surgem, curtir a natureza e criar laços entre as pessoas. Atualmente, realizamos uma Imersão de Corpo e Movimento na Natureza a cada três meses.

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Contemplação como conexão do corpo com o ambiente e a sustentabilidade

Já se pegou hipnotizado por imagens que de repente te relembram do esplendor do céu, da beleza do mar ou da vitalidade da vida sobre a terra? E já parou para pensar que o encantamento por todas essas imagens acontecem dentro de você? Sim, a partir da conexão entre o ambiente, o corpo e as camadas de subjetividade que o integram.

Se de um lado essa é uma atividade comum para artistas visuais e entusiastas do budismo e outras linhas de pensamento e espiritualidade, para a maioria dos mortais esses momentos acontecem apenas aqui e ali. Perdemos em poesia e deixamos momentos inspiradores passar.

Mas para além disso, negligenciar a oportunidade do corpo se dedicar a experienciar a natureza e os fenômenos que encantam pode ter um impacto sobre a qualidade de nossa existência no planeta – e quem sabe, sua perenidade.

Dois autores que falam de diferentes abordagens sobre a tal da sustentabilidade, defendem que um bom caminho para reduzirmos a pegada do ser humano no planeta (ecológica, hídrica, carbônica) é dedicarmos mais tempo para a contemplação. Ela preenche o tempo, a alma, a vontade de consumo, o desejo pelo belo e o impulso humano de fazer besteira.

 

Quando observo imagens como as destacadas nessa página, sinto que tem muita verdade nessa prática defendida por Tim Jackson e André Lara Resende.

SEPARAMOS CONTEÚDO INSPIRADOR PARA VOCÊ IR MAIS FUNDO NESTE ASSUNTO:

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Gadgets, o virtual e o corpo que sabe de si

Um efeito da era digital em rede é que tudo o que é vivo passa a ter uma tradução e uma dimensão de existência em forma de dados e imagens. Para o corpo não é diferente. Assim como suas interações com o ambiente e a sociedade tornam-se conteúdo multimídia nas redes sociais, a estrutura e o funcionamento do corpo podem ser mensurados e visualizados como informação digital. E isso não é mais privilégio de cientistas.

Na vida privada, um app no celular ou uma pulseira no braço mapeiam o desempenho na corrida, a qualidade do sono, as condições de pressão e temperatura do corpo e além. E eventualmente esses dados acabarão compartilhados em alguma rede digital – social, médica, da publicidade, do governo, de empresas. O conhecimento sobre o corpo se amplia e ele passa a ter uma vida própria enquanto conjunto de dados que navega os meios digitais.

Não faltam questões fascinantes para refletir sobre esse contexto, mas destaco uma pegadinha em especial. Ao confiar no digital para reconhecer dimensões do vivo, corremos o risco de dispensar os sentidos biofísicos e subjetivos do corpo para perceber a si mesmo e ao ambiente que habita. O digital traz as informações como algo definitivo, números, estatísticas, imagens. Os dispositivos que monitoram é que passam a acompanhar os processos do vivo. Nós ficamos com os registros digitais desses processos.

As experiências de vivenciar o sono e a falta dele, de reconhecer o caminhar ou a respiração no esporte, de lutar contra doenças … vão perdendo a demanda da atenção a si mesmo. O dispositivo X ou Y resume todo o processo. O humano fica com o foco “livre” para desempenhar suas tarefas do dia-a-dia.

Mas essa percepção de si convocando o universo corporal está na essência do Homo sapiens sapiens – a espécie que sabe … e que sabe que sabe … e que sabe de si.

O saber de si significa abrir escuta para si mesmo, significa incomodar-se com seus limites e fragilidades, empolgar-se com suas potências e descobertas, encantar-se com a beleza de ser um sistema vivo integrado, que pensa e sente e é codependente da natureza que o cerca. Não apenas um sistema que pode ser mensurado em suas funções para ser corrigido e aprimorado, ou que produz imagens e discursos a serem avaliados em uma rede digital.

Está aí um bom desafio aos humanos do século XXI. Como desfrutar das possibilidades inebriantes dos recursos digitais e das personas virtuais sem que todo o sabor da vida seja transferido para essas dimensões? Como combinar a experiência corpórea em todas as suas camadas às dimensões da experiência virtual? Se evitar o digital é provavelmente impossível e um desperdício, de outro lado tem sido cômodo e comum reduzir a produção de sentido no viver para as dimensões digitais. Demanda pouca energia do corpo e entretém.

Isto seria suficiente se o corpo existisse apenas no nível de realidade em que respiramos e nos alimentamos e reproduzimos. Mas o corpo envolve também os níveis do afeto, da troca social presente, de produção da cultura no coletivo, de experiências simbólicas e de transcendência, sem as quais fica deficiente em camadas que lhe são próprias. Daí a depressão, a ansiedade, a solidão, o medo.

É verdade que todos esses casos podem ser remediados com pílulas. Mas se o que elas fazem é aplacar as sensações e emoções decorrente dos vazios e desentendimentos de si, estamos produzindo um discurso de que viver na era digital demanda desligar as dimensões mais sensórias, sutis e complexas do corpo.

Estamos diante de um dilema. O mesmo corpo que se beneficia em ganhar uma dimensão de existência virtual, que encontra atalhos no digital para a percepção e para o entendimento de seus processos, e que torna-se aparentemente pleno e potente nos discursos que produz nas redes digitais, acaba padecendo frente à incompletude desse viver virtual, incapaz de nutrir todas as camadas e sutilezas do corpo encarnado.

É preciso ao mesmo tempo ouvir o corpo na sua demanda por uma experiência completa e ludibria-lo na sua capacidade de se entregar e se viciar na dimensão digital da sua existência. Como fazer isso? Um bom caminho é cuidar dos dois elementos essenciais ao humano. Um é sua qualidade de sistema vivo – e todo sistema vivo tem movimento. Portanto, mova-se! O outro é a qualidade do Homo sapiens sapiens de saber de si. Não se contente com o que dizem os gadgets e as redes. Convoque seus sentidos corporais para saber de si. Busque meditar, ampliar escuta, percepção, consciência corporal, ter experiências de corpo encarnado presente no ambiente, tocar, ser tocado … e, às vezes, abra mão da timeline e dos gadgets.

SEPARAMOS CONTEÚDO INSPIRADOR PARA VOCÊ IR MAIS FUNDO NESTE ASSUNTO:

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