Memória emerge do corpo, da experiência, da cultura

Na história, na sociedade e também no corpo a memória é viva: reorganiza os afetos ao sabor da experiência. Essa dinâmica se aplica para a sociedade nos dias atuais e também para a vida de cada pessoa no contexto da pandemia.
As experiências mudam nossa perspectiva sobre nossa relação com o mundo e assim traz impulsos para revermos nossos entendimentos.
O revisionismo não fala nada do passado, fala do presente – disse o historiador Leandro Karnal. Das narrativas sobre a colonização das Américas, da relação com a natureza e com os povos originários do continente, até as questões sobre escravização do povo negro, as narrativas sobre raça, protestos na rua e a remoção de estátuas. Todas essas mudanças de perspectiva histórica e seus discursos são estímulos para examinarmos como nos relacionamos com cada uma dessas narrativas: onde as reforçamos, onde contribuímos para sua mudança.
Por trás da construção de discursos, estão nossos gestos, as formas de relação entre humanos e de nós com o ambiente. Mudar a história é construir novas experiências de corpo e alma.
Imagens: Instalações de @chiharushiota , espetáculo “A Vida Começa pela Memória” da Cia Intérpretes Independentes (por Suane Melo), Remoção da Estátua de Robert Milligan em Londres (BBC), Memorial dos Povos Indígenas (por Tony Winston/Agência Brasília), Tree Cover (por Global Forest Watch).

Um pouco de química em nossos afetos

Gustav Klimt - The Kiss, 1907-1908 - The Österreichische Galerie Belvedere, Vienna, Austria

Hormônio do amor é como muita gente conhece a ocitocina Essa é uma ideia estereotipada, mas de fato a ocitocina está associada a sensações e situações positivas no ser humano – e em várias espécies animais.

Ela é produzida quando estamos em um ambiente agradável, sem ameaças, quando recebemos e oferecemos cuidado e afeto e é uma das químicas importantes para a reprodução , ligada ao prazer na relação sexual Também participa do trabalho de parto e da construção de vínculo entre a mãe e o bebê , principalmente a partir do contato de pele com pele.

downloadA ocitocina tem o efeito de reduzir estresse , intensificar processos de cura , e diminuir ansiedade e medo Sua produção acontece no hipotálamo e na neuro-hipófise, estruturas consideradas primitivas no cérebro dos mamíferos , e ela atua no corpo pela integração de nervos com o sistema parassimpático, e por meio de seu papel de neurotransmissor, um mensageiro que dá sinal para a ativação de diferentes funções do corpo.

Banksy_10Atividades que estimulam a produção de ocitocina vão desde tarefas manuais, como costurar, cozinhar, e fazer jardinagem, até passear em um lugar de natureza, meditar, fazer e receber massagem, tomar um banhoquente e interagir com toque, de modo geral. Fica a dica para o Dia dos Namorados.

Imagens: Gustav Klimt, Andrew Nichols e Banksy

Arte traduz o corpo que traduz o mundo

Os sentidos do corpo e seus modos de mover têm a potência de traduzir e integrar o mundo que habitamos. Materializar essa experiência para quem nunca a viveu é algo difícil. Mas a arte sempre oferece uma mão.

Esta semana apareceu no radar do ConeCsoma o trabalho de Salman Khoshroo que mistura corpo e paisagem, que altera a organização das estruturas físicas, que modifica a #imagem do corpo tornando-o espectros de cor e textura e inquietação. Modos de expressão desse artista iraniano mas que podem ser uma referência para representar qualidade de presença e sensações que nos surpreendem em alguns momentos e que podem ser cultivadas no dia-a-dia por meio da consciência corporal e da relação do corpo com o espaço.

Seja na pintura, seja nas obras com lã feitas por Salman, é possível ter um gosto do que se trata a tal conexão entre o universo corporal e o mundo e que está ao alcance das pessoas comuns por meio das nossas experiências.

Dê uma chance a outros modos de perceber e estar no mundo. Veja mais em http://conecsoma.com.br