Imersão de Corpo e Movimento na Natureza * Primavera 2018

O retiro de primavera (2018) acontece de 30/11 a 2/12. Inscreva-se aqui!

20180421_icmn_9_ed1_olAssim como na estrutura do corpo, os ecossistemas, as cidades e as relações em sociedade não acontecem de modo isolado. Estamos sob o efeito constante da influência mútua entre nós, os outros, a natureza, o mundo que habitamos. E conforme vivemos e entramos em contato com todas essas dimensões, também as afetamos em menor ou maior grau. Revela-se assim uma qualidade essencial da existência, que são os entrelaçamentos: micro e macro, vivo e inanimado, eu e o outro, sujeito e coletivo, biofísico e subjetivo.

O ConeCsoma convida você para uma imersão na natureza, de 30/11 a 2/12, onde iremos explorar os entrelaçamentos que compõem e aqueles que atravessam e excedem o universo corporal de cada um. Faremos isso por meio de consciência corporal, de interação com o ambiente e de experimentações do mover do corpo no espaço. E ainda doses de reflexão, conversa, imagens e contemplação. Inscreva-se aqui

Explorar noções e percepções de entrelaçamentos em diferentes dimensões estabelece uma ponte com o que nos torna únicos e, ao mesmo tempo, parte de uma rede e dos fenômenos próprios do que é vivo. Ou seja, abre espaço para nos reconhecermos e relacionarmos para além da ideia de indivíduos, de isolamentos e de noções cartesianas de causa e efeito ou de hierarquias nas dimensões que compõem a vida.

PERCURSO

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Cenário da Imersão de Inverno 2018

Vamos dialogar com as percepções e padrões associados a esses entrelaçamentos. E investigaremos novos modos de mover, encontrando potências e o prazer de perceber, desfrutar e tramar nossos movimentos, trajetórias e ritmos.Nesta imersão viajaremos para uma região de Mata Atlântica em São Paulo. Ali investigaremos consciência corporal e qualidades do mover para estimular cada participante a reconhecer diferentes referências sobre entrelaçamentos na matéria, no movimento e nos fluxos ligados ao corpo e nas suas trajetórias físicas e subjetivas.

Tudo isso, sob a orientação do educador somático Ricardo Barretto, a partir de princípios do Body-Mind Centering® e da dança contemporânea, além de princípios da sustentabilidade e das ciências da comunicação. Sempre respeitando e valorizando as singularidades de cada um e as relações com os outros e o ambiente.

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Cenário da Imersão de Verão 2017

As experiências dessa imersão envolverão:.

> dinâmicas de consciência corporal e exploração do movimento para reconhecer perspectivas de entrelaçamentos na matéria, no movimento e nos fluxos do corpo e do ambiente, e para desenvolver modos singulares de mover e interagir com o ambiente e com os outros

> contemplação de entrelaçamentos nas estruturas e dinâmicas da natureza, aproveitando a paisagem como lugar de aprendizado e inspiração

> criação de repertório de movimento a partir da exploração de referências de entrelaçamento, gerando e apropriando-se de novos modos de mover e estar

> interação por meio de jogos de improviso e dinâmicas de movimento, estimulando a potência das relações em rede

> compartilhamento de percepções e descobertas a partir do que vivemos e conversas sobre aspectos da sociedade e da ecologia a partir de ciclos da trajetória humana no mundo e dos insights de cada participante

As práticas têm início no sábado, 1/12, às 9h, mas encorajamos que todos os participantes viagem na sexta-feira, 30/11, para integração de grupo à noite e para uma introdução experiencial à imersão do fim de semana.

*Ajudaremos a organizar possíveis caronas entre os interessados.

*Estaremos hospedados na mesma casa e as refeições estão inclusas no pacote.

Investimento: R$ 380,00
15 vagas > daremos preferência a quem confirmar com antecedência
Reservas, Inscrições ou Dúvidas aqui

FACILITAÇÃO: RICARDO BARRETTO

Comunicólogo e educador somático, Ricardo é o mentor do projeto ConeCsoma que promove conexões a partir do corpo e para além dele. Atua há mais de 15 anos como comunicador na área de sustentabilidade e como movedor, em contextos artísticos e educacionais. Seu trabalho corporal bebe em três fontes: o entendimento da Comunicação como toda dinâmica de fluxos e trocas; o estudo de dança contemporânea e abordagens somáticas como o Body-Mind Centering®; e as noções de interdependência e visão integrada que caracterizam o pensamento da sustentabilidade.

A fusão e aprofundamento da pesquisa desses saberes integrados teve início em 2008, com sua atuação profissional no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP, e por meio de pós-graduação na ECA-USP, da formação em BMC®, da atuação como facilitador e educador somático e da participação no Núcleo de Formação Integrada do GVces.

SOBRE AS IMERSÕES DE CORPO E MOVIMENTO NA NATUREZA

Iniciativa que surge em 2017 como desdobramento das Experiências de Corpo e Movimento, que Ricardo Barretto oferece semanalmente no Lab-C, o laboratório de experimentações do ConeCsoma. A ideia é aprofundar a proposta de educação para o movimento e de conexões a partir do corpo. Daí, um mergulho na natureza, com mais tempo e inspiração para perceber e explorar os fluxos informativos que atravessam o corpo e o conectam ao ambiente. Sempre de modo estimulante e com respiro para digerir os aprendizados que surgem, curtir a natureza e criar laços entre as pessoas. Atualmente, realizamos uma Imersão de Corpo e Movimento na Natureza a cada três meses.

Contemplação como conexão do corpo com o ambiente e a sustentabilidade

Já se pegou hipnotizado por imagens que de repente te relembram do esplendor do céu, da beleza do mar ou da vitalidade da vida sobre a terra? E já parou para pensar que o encantamento por todas essas imagens acontecem dentro de você? Sim, a partir da conexão entre o ambiente, o corpo e as camadas de subjetividade que o integram.

Se de um lado essa é uma atividade comum para artistas visuais e entusiastas do budismo e outras linhas de pensamento e espiritualidade, para a maioria dos mortais esses momentos acontecem apenas aqui e ali. Perdemos em poesia e deixamos momentos inspiradores passar.

Mas para além disso, negligenciar a oportunidade do corpo se dedicar a experienciar a natureza e os fenômenos que encantam pode ter um impacto sobre a qualidade de nossa existência no planeta – e quem sabe, sua perenidade.

Dois autores que falam de diferentes abordagens sobre a tal da sustentabilidade, defendem que um bom caminho para reduzirmos a pegada do ser humano no planeta (ecológica, hídrica, carbônica) é dedicarmos mais tempo para a contemplação. Ela preenche o tempo, a alma, a vontade de consumo, o desejo pelo belo e o impulso humano de fazer besteira.

 

Quando observo imagens como as destacadas nessa página, sinto que tem muita verdade nessa prática defendida por Tim Jackson e André Lara Resende.

SEPARAMOS CONTEÚDO INSPIRADOR PARA VOCÊ IR MAIS FUNDO NESTE ASSUNTO:

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Impressões que atravessam do mundo antigo à era digital

O que têm em comum as ações triviais de passear pelo centro histórico de uma cidade e de digitar num teclado? Elas têm a ver com o momento em que o corpo passou a imprimir palavras no papel. Eu explico.

Em meados do século XV, o desenvolvimento da prensa móvel abre espaço para um novo modo de guardar e transmitir informações, de pensar, de organizar coisas e de relação com o ambiente. Isso porque a lógica das máquinas de impressão – e dos livros organizados em linhas, parágrafos, capítulos, volumes – estimularam uma perspectiva de sistematização da realidade. Encarando-a a partir de princípios matemáticos e de ordenamento.

Um exemplo são as representações gráficas do globo terrestre. Definir territórios de modo geométrico leva ao aprimoramento das rotas de navegação, à demarcação de fronteiras e de propriedades de terras, e traz para o espaço urbano a busca por uma forma estética sistematizada, por meio de ruas, edifícios, bairros, equipamentos urbanos.

Essa transformação no entendimento e na relação com o espaço estende-se até outros fenômenos político-sociais, como as missões de colonização e evangelização. Isso porque substituíam a mentalidade e o espaço nativos pelas formas de concepção dos conquistadores europeus. E mesmo nas metrópoles europeias surge uma cultura de imposição para lidar com os problemas da expansão urbana pós-revolução industrial. A organização e o controle do espaço tornam-se uma prioridade para governos, políticos e sociedade. E a arquitetura é aplicada para mudar o estilo de vida dos cidadãos.

A sistematização da vida e dos ambientes exprime uma forma de tornar o espaço conhecido, sem ameaças, dominado. É uma forma de habitar pela conquista do ambiente. O espaço, a sociedade, os corpos passam a ser moldados assim como a palavra impressa molda as palavras e as lógicas do pensamento sobre o papel.

Esse modelo mental torna-se tão arraigado que, mesmo na era digital e da comunicação em rede, ele continua impresso na geografia das cidades e nos corpos que digitam.

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