Memória emerge do corpo, da experiência, da cultura

Na história, na sociedade e também no corpo a memória é viva: reorganiza os afetos ao sabor da experiência. Essa dinâmica se aplica para a sociedade nos dias atuais e também para a vida de cada pessoa no contexto da pandemia.
As experiências mudam nossa perspectiva sobre nossa relação com o mundo e assim traz impulsos para revermos nossos entendimentos.
O revisionismo não fala nada do passado, fala do presente – disse o historiador Leandro Karnal. Das narrativas sobre a colonização das Américas, da relação com a natureza e com os povos originários do continente, até as questões sobre escravização do povo negro, as narrativas sobre raça, protestos na rua e a remoção de estátuas. Todas essas mudanças de perspectiva histórica e seus discursos são estímulos para examinarmos como nos relacionamos com cada uma dessas narrativas: onde as reforçamos, onde contribuímos para sua mudança.
Por trás da construção de discursos, estão nossos gestos, as formas de relação entre humanos e de nós com o ambiente. Mudar a história é construir novas experiências de corpo e alma.
Imagens: Instalações de @chiharushiota , espetáculo “A Vida Começa pela Memória” da Cia Intérpretes Independentes (por Suane Melo), Remoção da Estátua de Robert Milligan em Londres (BBC), Memorial dos Povos Indígenas (por Tony Winston/Agência Brasília), Tree Cover (por Global Forest Watch).

Outros impulsos para quarentenas em família

Mães e filhas se juntaram numa coincidência inpiradora nas Experiências de Corpo e Movimento desta semana. Em uma das telas, duas jovens irmãs, que navegam pelas atividades do ConeCsoma há alguns anos, estavam acompanhadas pela mãe. Em outra tela, uma bailarina ativista, parceira há tempos, reuniu a filha e uma amiga para sensibilizarem a percepção e ativarem os corpos.

O tema da noite já era bem instigante – relações com a gravidade – mas a participação das mães e filhas juntas trouxe um sentido de intimidade e partilha para a experiência que foi inspirador. Vê-las juntas, em suas casas, experimentando dinâmicas de movimento, deu a sensação de um ritual de transformação da quarentena. Um laboratório em tempo real do que se ouve com frequência nas aulas: o corpo tem a potência de modificar o modo como nos relacionamos com os outros e com o ambiente