Coisas que parecem imutáveis em um momento, tomam novo rumo no seguinte. Algo que está em franca expansão, de repente começa a ceder. Essas idas e vndias são comuns na vida e delineiam também ciclos no corpo e na natureza. Alguns mais curtos, íntimos e onipresentes como a respiração e as marés. Outros mais longos como a infância, a juventude, as fases da lua, as estações do ano. E outros tão mais longos que temos dificuldade de percebê-los como a própria história. A pandemia trouxe um raro momento em que ficamos frente à frente com uma conjunção desses ciclos: curvas do vírus, mudanças na economia e nos ventos da política, movimentos da sociedade apontando para males que acometem o coletivo há séculos, ao mesmo tempo em que manter a sanidade depende de escuta interna para os sinais do corpo e para o acolhimento de um simples ato de inspirar e espirar. Essa noção de ciclos acaba sempre presente nas nossas Experiências de Corpo e Movimento, semanais, mas também já foram tema de um de nossos retiros na natureza. Para se inspirar e participar das nossas atividades.
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Bichos
Boas surpresas das aulas online: num momento de ativar a consciência corporal, com os participantes deitados no chão, a música começa e, em uma das casas, o cachorro que estava agitado pula no sofá, se acomoda e entra em estado de contemplação, como se apreciasse a música e seguisse no próprio corpo as orientações que vinham pela caixa de som. Sabe lá o que se passava dentro dele naquele momento, mas a sensação é que de algum modo surgiu uma conexão com o bicho.
Isso faz lembrar de como é especial a conexão entre humanos e animais, que toma formas que vão muito além de reações instintivas. Exemplos existem de monte: as práticas de Doma, com cavalos; a interação por linguagem de sinais com primatas; mamíferos marinhos que ajudam pessoas no mar. Situações singelas que revelam qualidades inusitadas de interação entre corpos de diferentes espécies, fazendo repensar as categorias mentais que usamos para classificar os animais… e os comportamentos estimulados ou desencorajados por elas.
Imagens: ConeCsoma, New York Times, Medical Daily, Hammerfest
Relação entre deserto e floresta revela conexões como as do corpo
Godzilla foi o nome dado à nuvem de areia vinda da África em direção à América no Hemisfério Norte. Mas esse fenômeno não é novo e tem um lado bem menos assustador. Hoje é sabido que a areia do Deserto do Saara tem participação importante na formação de chuvas e na fertilização dos solos da Amazônia.
Sim, a floresta tem uma relação íntima com o deserto e nos mostra como o planeta é interconectado. Também faz pensar que se em dimensões tão gigantescas existe uma conexão entre fenômenos e formas de vida na natureza, é mais do que esperado que ações humanas que parecem isoladas tenham desdobramentos sobre o meio ambiente.
E que no corpo humano, a mesma dinâmica acontece: nossos órgãos e nossos hábitos, as químicas que nos formam e as que trazemos de fora para dentro – voluntária ou involuntariamente – têm enorme influência sobre a vitalidade do corpo. Reconhecer essa integração é perceber a poesia da fisiologia e assumir
Abaixo, referências para você ir mais fundo nessa reflexão ecossomática.
O que é a ‘nuvem de poeira Godzilla’, que viaja 10 mil km do Saara para as Américas
Do Saara à Amazônia: 4 impactos bons e ruins da poeira que viaja do deserto até a América Latina
Como o deserto do Saara participa do regime de chuvas da Amazônia, a 5 mil km de distância
Vídeo da Nasa mostra como Amazônia é fertilizada pelo deserto do Saara
Foto de Sara Lusitano e imagens de satélite da NASA


