Contemplação como conexão do corpo com o ambiente e a sustentabilidade

Já se pegou hipnotizado por imagens que de repente te relembram do esplendor do céu, da beleza do mar ou da vitalidade da vida sobre a terra? E já parou para pensar que o encantamento por todas essas imagens acontecem dentro de você? Sim, a partir da conexão entre o ambiente, o corpo e as camadas de subjetividade que o integram.

Se de um lado essa é uma atividade comum para artistas visuais e entusiastas do budismo e outras linhas de pensamento e espiritualidade, para a maioria dos mortais esses momentos acontecem apenas aqui e ali. Perdemos em poesia e deixamos momentos inspiradores passar.

Mas para além disso, negligenciar a oportunidade do corpo se dedicar a experienciar a natureza e os fenômenos que encantam pode ter um impacto sobre a qualidade de nossa existência no planeta – e quem sabe, sua perenidade.

Dois autores que falam de diferentes abordagens sobre a tal da sustentabilidade, defendem que um bom caminho para reduzirmos a pegada do ser humano no planeta (ecológica, hídrica, carbônica) é dedicarmos mais tempo para a contemplação. Ela preenche o tempo, a alma, a vontade de consumo, o desejo pelo belo e o impulso humano de fazer besteira.

 

Quando observo imagens como as destacadas nessa página, sinto que tem muita verdade nessa prática defendida por Tim Jackson e André Lara Resende.

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‘Ciclos’ foi o tema do Retiro de Inverno 2018

O retiro aconteceu de 6 a 9/7, e teve como foco explorar os ciclos singulares, comuns e ecológicas que atravessam nossa existência. Fizemos isso por meio de consciência corporal, de interação com o ambiente e de experimentações do mover do corpo no espaço. E ainda doses de reflexão, conversa, imagens e contemplação. Explorar noções e percepções de ciclos em diferentes dimensões estabeleceu uma ponte com o que nos torna únicos e, ao mesmo tempo, parte de uma coletividade e dos fenômenos próprios do que é vivo. Saiba mais sobre a proposta aqui.

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Ciclos convidam a perceber e questionar

Quando fenômenos se repetem. Quanto têm começo, meio e fim. Quando marcam passagem do tempo. Quando viram registro ou referência para lembrar e reconhecer. Quando integram outros fenômenos em uma mesma dinâmica.

Assim se fazem os ciclos, desde a natureza (do cosmos às células e seus constituintes), passando por nós humanos – tanto no que é orgânico, como no que é sensação, sentimento e pensamento – e revelando o que nos faz sociedade: economia, destruição, colaboração, afetos…

Alguns ciclos se estabelecem independente da nossa vontade ou ação, nos resta observá-los e interagir – como nas estações do ano. Outros nos provocam o autoquestionamento, a necessidade de romper com o que drena fluxos da vida. É o que acontece nos relacionamentos perversos, nos conflitos, na inércia.

E há também aqueles ciclos que se fazem a partir de um olhar, de uma intenção, de um tipo de presença … de uma opção por interagir e transformar. São os ciclos que criamos nós mesmos, com todos os sentidos do corpo, interagindo com os ambientes que nos envolvem e com as relações que atravessam a sociedade. Estão na arte, nos rituais, nos desafios ao status quo, na construção de amizades…

Na perspectiva do humano, os ciclos são um convite para desfrutar um quê de poético que a vida tem e às vezes passa batido quando existimos em modo automático.

O corpo e a natureza nos ensinam a conviver com os ciclos, que muitas vezes demandam energia e serenidade para nos mantermos presentes, confiantes, permeáveis, apesar dos indícios. Pense na política hoje. Pense na crise ambiental.

Ao mesmo tempo em que lembram que nunca existe um ciclo único. Ciclos diferentes convivem a todo tempo e se alguns podem ser mais exaustivos, outros podem ser fertilizadores e transformadores. Um corpo que vence os efeitos de um acidente. Um ecossistema que se regenera após o fogo. Uma nação que vence injustiças.

Reconhecer e dialogar com os ciclos abre espaço para autoconhecimento, conexão com dinâmicas da sociedade e da natureza. Com noções de finitude, criação, renovação, memória, afeto, coletividade e autonomia. Do que é incontrolável e do que é acalentador.

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