O diálogo no ambiente de trabalho pode ser atravessado por maus entendidos, falta de escuta, filtros impertinentes, reações exacerbadas. Parte desses ruídos têm a ver com as próprias dinâmicas da linguagem e os repertórios de vida e de conhecimento das pessoas. Mas parte tem a ver com o excesso de foco na dimensão mental das relações e das experiências da vida. E isso fica ainda mais evidente no contexto do homeoffice.
Lidar com as pessoas apenas pela fala e pela construção de lógica puramente intelectual exclui da relação humana a riqueza dos estímulos sensoriais e o entrelaçamento entre cognição e as demais atividades corporais. Não é de se estranhar que equipes de trabalho entrem em situações de conflito, travamento, desmotivação, cansaço. O corpo se exaure quando opera sempre nos mesmos estímulos e modos de se expressar. Reanimar a qualidade nas relações de trabalho pode e deve passar pela sabedoria corporal.
As equipes que buscam o conecsoma para reacender a chama da integração e da criatividade, para dissipar o nível de pressão ou para reavivar a cumplicidade entre membros da equipe muitas vezes iniciam nossas experiências de modo resistente. É fácil de compreender o estranhamento de pessoas que só interagem dentre de um mesmo formato de troca e de repente se veem na condição inusitada de aguçar a consciência corporal ao lado de outras pessoas com as quais interagem a partir de um repertório corporal limitado. Pouco a pouco, a vivência vai fluindo de modo relaxado, ajudando a baixar as resistências, e as pessoas vão sendo surpreendidas por novas sensações, por imagens inspiradoras, por impulsos inesperados e, o principal, pela percepção de que aquelas outras pessoas também passam por algo semelhante.
A escuta interna, fundamental para aguçar a consciência corporal, é ampliada para exploração de movimento e jogos de interação, dentro da disponibilidade de cada grupo. O que emerge daí é um sentido de cumplicidade, de partilha de uma situação nova, que oscila entre o desconhecido e um contentamento às vezes raro no ambiente de trabalho. Tudo isso gera um espaço seguro para compartilhar ideias e incômodos. E assim fortalece o tal espírito de equipe que às vezes está presente no discurso da empresa ou de gestores, mas nem sempre está vivo na prática.
Muitos perguntam: mas não é estranho o corpo ativo no ambiente de trabalho? Pode ser inusitado, mas estranho mesmo é esperar que relações humanas possam fluir sem o principal elemento de percepção e expressão do humano no mundo, que é o universo corporal. Uma sociedade que busca viver de modo integrado precisa reconectar-se com o corpo que vai além das habilidades mecânicas. incluindo no ambiente de trabalho e no ambiente virtualizado do homeoffice.





