Impressões que atravessam do mundo antigo à era digital

O que têm em comum as ações triviais de passear pelo centro histórico de uma cidade e de digitar num teclado? Elas têm a ver com o momento em que o corpo passou a imprimir palavras no papel. Eu explico.

Em meados do século XV, o desenvolvimento da prensa móvel abre espaço para um novo modo de guardar e transmitir informações, de pensar, de organizar coisas e de relação com o ambiente. Isso porque a lógica das máquinas de impressão – e dos livros organizados em linhas, parágrafos, capítulos, volumes – estimularam uma perspectiva de sistematização da realidade. Encarando-a a partir de princípios matemáticos e de ordenamento.

Um exemplo são as representações gráficas do globo terrestre. Definir territórios de modo geométrico leva ao aprimoramento das rotas de navegação, à demarcação de fronteiras e de propriedades de terras, e traz para o espaço urbano a busca por uma forma estética sistematizada, por meio de ruas, edifícios, bairros, equipamentos urbanos.

Essa transformação no entendimento e na relação com o espaço estende-se até outros fenômenos político-sociais, como as missões de colonização e evangelização. Isso porque substituíam a mentalidade e o espaço nativos pelas formas de concepção dos conquistadores europeus. E mesmo nas metrópoles europeias surge uma cultura de imposição para lidar com os problemas da expansão urbana pós-revolução industrial. A organização e o controle do espaço tornam-se uma prioridade para governos, políticos e sociedade. E a arquitetura é aplicada para mudar o estilo de vida dos cidadãos.

A sistematização da vida e dos ambientes exprime uma forma de tornar o espaço conhecido, sem ameaças, dominado. É uma forma de habitar pela conquista do ambiente. O espaço, a sociedade, os corpos passam a ser moldados assim como a palavra impressa molda as palavras e as lógicas do pensamento sobre o papel.

Esse modelo mental torna-se tão arraigado que, mesmo na era digital e da comunicação em rede, ele continua impresso na geografia das cidades e nos corpos que digitam.

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Ser humano de corpo, alma, tecnologia

O que nos identifica como humanidade? Pensar, amar, cultura, ritos, espiritualidade? Uma das características talvez não seja tão poética. Como compartilhar uma ideia que martela a cabeça sem escrever ou gravar um depoimento? Como amar visceralmente sem mandar mensagens apaixonadas? E como pensar cultura sem música feita em algum instrumento, sem roupa de algum tecido, sem comida de algum prato ou cuia? E devoção religiosa sem objetos ou templos? Pode soar frustrante, mas é difícil expressar nosso existir sem um pouco de tecnologia.

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Mapas culturais digitais conectam criadores, público e multiplicadores

Para orientar o público, para nortear profissionais, para dar luz a excluídos, para servir aos curiosos, para saciar os obstinados. Tantos interesses dão origem a mapas digitais e colaborativos. Em tempos de sociedade em rede, encontrar iniciativas que instigam pode ser uma questão de boca-a-boca, mas também de um clique. Em comum, a conexão de corpos que buscam e corpos que oferecem por meio dos dispositivos digitais interconectados. Veja algumas plataformas que pinçamos na web.

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